Um novo Samhain está chegando
Hoje, nós pagãos que rodamos pelo sul, celebraremos a conclusão de mais um giro da Roda.
Samhain, o terceiro e último festival da colheita, simboliza o final de um ciclo e o prenúncio de um novo.
Estamos nos aproximando da época em que a Terra se recolhe e a Deusa parte em sua viagem anual aos mundos interiores.
É quase hora de nos despedirmos do Deus, que vai penetrar na eterna escuridão para retornar - renascido - em Yule.
Samhain (pronuncia-se souêin) significava, para os celtas, o final de um ciclo e o prenúncio de um novo, o mergulho na escuridão e na morte à espera do renascimento. Era o mais importante dos Sabbats, representando a passagem do Ano Novo e o terceiro e último festival da colheita. Simbolizava não mais a celebração dos cereais ou das frutas, mas a matança dos animais que não mais serviam para a reprodução, sendo transformados em conservas para o inverno. Na Roda do Ano, Samhain é o oposto de Beltane, regido pela Deusa Anciã e pelo Deus da Morte.
Na mitologia irlandesa, em Samhain celebrava-se a união da deusa da guerra Morrigan a Dagda, o deus da Terra, garantindo, assim, a sobrevivência da terra durante as vicissitudes do inverno. As lendas celtas contam como Cailleach, a deusa Anciã, congelou a terra, batendo nela com seu cajado. Lamentando a morte sacrificial do Deus, reresentada pelo fim do ciclo da vegetação, a Anciã se recolhe para preparar em seu caldeirão a poção mágica do renascimento.
Nos países nórticos e celtas, acreditava-se que vários Espíritos da Natureza, principalmente as Fadas Escuras, perambulavam pela terra nesta noite, perturbando as pessoas e assustando os animais. Para mantê-los à distância, fogueiras e lanternas de abóboras eram acesas nas colinas e oferendas eram deixadas nos bosques. Em Roma, celebravam-se neste dia as deusas Pomona e Fortuna, com oferendas agradecendo pela colheita e rituais para atrair a boa sorte.
Em algumas Tradições da Deusa, esta noite é dedicada a Cerridwen, a deusa celta detentora do caldeirão sagrado da sabedoria e da transmutação, a face anciã da Grande Mãe. Comemora-se, também, a descida da deusa suméria Inanna, em visita a sua irmã Eresshkigal, a senhora do mundo subterrâneo, sendo imolada e morta antes de voltar, renovada e mais sábia, ao mundo dos homens. No mito grego, Deméter desce para visitar sua filha Perséfone no mundo escuro dos mortos, implorando-lhe para que volte com ela à superfície. Hécate, a deusa das encruzilhadas, encaminha as almas, iluminando-lhes a passagem com sua tocha. (Mirella Faur, O Anuário da Grande Mãe)
Que esse seja um tempo de reflexão. Que esta data seja o final de um ciclo, mas que seja também o prenúncio de um novo. Que nós todos sejamos felizes na viagem ao ventre escuro da Mãe Terra. Que mergulhemos na escuridão, à espera do renascimento. Que encaremos de frente nossos medos e limitações. Que consigamos nos livrar de tudo que é "peso morto" em nossas vidas. Que saiamos do ventre escuro da Mãe Terra regenerados e transformados. Que não nos esqueçamos que a (nossa) vida é um ciclo. É feita de nascimento, crescimento, amadurecimento, envelhecimento, morte, nascimento, crescimento, amadurecimento, envelhecimento, morte, nascimento... contínuos. Que lembremo-nos sempre de que cada fim é apenas um novo início.
Ar move, fogo transforma, água forma, terra cura, E a roda vai girando, Vai girando, E a roda vai girando, vai...
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