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sábado, 26 de abril de 2003
Este post dela foi um presente que me emocionou. Calou fundo no meu coração mais do que eu seria capaz de descrever.
A Matadora de Dragões
Uma vez houve uma menina que, desde cedo, tinha o dom de impressionar as pessoas.
Novinha, já sabia ler, mas resolveu (achando muita graça) não contar a ninguém seu segredo. Lia as marcas de papel higiênico, do leite, o nome da padaria no saco de pão.
Lia tudo e não contava a ninguém, e ria, ria muito consigo.
Um dia, a menina viu uma revista na banca de jornal. Viu as figuras e imaginou as maravilhosas palavras nas histórias que devia haver lá dentro. Voou para casa e pediu ao pai dinheiro para comprar uma revista.
O pai gargalhou: O que você vai fazer com uma revista, Lúcia? Não sabes ler!
Mas é claro que eu sei, respondeu pomposa.
Duvidando, o pai apostou, Se sabes ler, leia então, para mim o que está escrito naquela lata.
Neston. - respondeu calmamente a garotinha.
O pai arregalou os olhos. E depois riu de novo, era claro que a marota já sabia que lata era aquela.
- Lúcia traz para mim aquele jornal. Se conseguires ler o que eu te mostrar, te dou o dinheiro para a tal revista e mais um pouco para algumas figurinhas.
A menina levou o jornal até o pai, leu o que lhe foi pedido, e saiu, às gargalhadas, deixando o homem boquiaberto.
Sua vida, de menina a mulher, foi assim. Impressionando e deixando todos com os olhos arregalados.
Não sabia, mas aquilo era a vida lhe preparando para matar dragões.
Ainda jovem, teve de matar o primeiro dragão. A primeira desilusão, a primeira profunda tristeza. Um desses dragões levara sua amiga, irmã e companheira. Matou o primeiro, aprendeu que a amiga estava apenas viajando, mas que voltaria. Até com o mesmo nome. Com o mesmo jeito. E continuariam amigas, irmãs, mãe e filha.
Outros dragões vieram. Uns maiores, outros menores.
Já mulher, outro dragão levou seu pai. O mesmo que, muitos anos antes, ela havia deixado boquiaberto na sala, enquanto saía para comprar sua revista. Seu pai, seu amor, seu velho.
O dragão era grande, mas ela se descobriu maior. Incansável, esperou, lutou, feriu-se, curou-se e matou o dragão.
Mais dragões. Mas, como vinham os dragões, vinham as lições e os presentes.
Lúcia, a impressionante matadora de dragões, sabia disso.
Hoje ainda mata dragões. Continua incansável, esperando, lutando, ferindo-se e curando-se.
Sente-se meio perdida, às vezes.
Mas ela é a impressionante Lúcia, de espada na mão, enfrentando mais um dragão.
P.S.: Esse papo deu ser impressionante é por conta da autora do texto que tem um coração assim do tamanho do mundo, ok? |
Lu às 03:08
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